21 de set. de 2011

"O que se leva da vida é a vida que se leva"


A vida em república e o contato com outros republicanos me fez perceber três tipos diferentes de pessoas: os acomodados, os exploradores e os lutadores. E quase toda república tem, pelo menos, um exemplar de cada.

O acomodado é aquele cara que passa a graduação inteira recebendo dinheiro dos pais. Ele pode até pensar em fazer iniciação científica, ser monitor de qualquer coisa, mas é pura modinha. 'Tá quase sempre dando a maior atenção a outras coisas fora da Academia (como musculação, spinning...) e geralmente tem um carro ou moto, cujos gastos e despesas são pagos pelos pais.

O explorador é um meio-termo: ele tem interesses acadêmicos, acha interessante conseguir bolsas de pesquisa e corre atrás disso, mas continua contando com papai e mamãe. Geralmente é o cara que vai juntando a bolsa da pesquisa com o que ganha dos pais, tem gastos com livros, xeroxes, etc, mas, às vezes, também extrapola nas saideiras.

O lutador pode ser de dois tipos: ou a família dele o ajuda de alguma forma, mas ele continua lutando pra se manter sozinho (e, quando consegue isso, dispensa a família) ou desde o início ele precisa se sustentar. Corre atrás de bolsa, auxílio, empentelha o professor, mas acaba sendo um dos mais aplicados do curso porque precisa correr atrás do prejuízo por trabalhar demais.

Seja qual for a opção que o cara "escolha" seguir (escolha entre aspas porque, no caso do lutador, ele nem sempre escolhe isso), tudo tem seu lado bom. O acomodado tem o que quer na hora que escolher; o explorador geralmente ri de seus feitos (nada heroicos) e tira sarro da situação; e o lutador tem a vantagem de ver, em tempo real, a aplicabilidade de seus estudos.

Mas não estou aqui pra igualar nenhum destes grupos (que são moldes de sociedade). A vida não iguala. Ela não vê motivo pra isso. Seu chefe não vai te igualar ao estagiário, a menos que queira tua demissão. Sua mãe não vai te igualar ao teu irmão, exceto para provar que existe preferência.

Eu não acho: eu tenho certeza de que, na vida, a melhor coisa é se foder. Entrar no cheque especial, de preferência do banco com juros mais alto, pagar o mínimo do cartão de crédito, passar o domingo comendo miojo e, no resto da semana, arroz, feijão e ovo. É pegar horas de engarrafamento pra ir e voltar, ter meia hora pro almoço, passar até um pouquinho de fome de vez em quando para se lembrar de economizar. Se foder na vida é faltar ao trabalho pra se matar de estudar (a matéria que não caiu na prova e tomar bomba naquilo que, realmente, não vai fazer a menor diferença na sua vida) e perder prova porque precisava trabalhar e ninguém poderia te substituir - porque insubstituível é quem se faz assim, e demanda esforço, cansaço, exaustão.

Se foder sozinho é a melhor coisa que existe. Se foder com alguém é prazeroso, agrega mais prazer, mas se foder na vida agrega conhecimento e maturidade, indispensáveis pra vida de quem quer ser adulto na vida. Com toda a retórica da redundância.



Com todo o perdão da ambiguidade, um grande foda-se a todos os acomodados e exploradores!

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28 de ago. de 2011

“You can do anything you set your mind to.”

“If you had one shot, one opportunity
to seize everything you ever wanted, one moment,
would you capture it or just let it slip? (…)

You better lose yourself in the music, the moment
You own it, you better never let it go
You only get one shot – do not miss your chance to blow
Cause opportunity comes once in a life time.”


Quantas coisas você já perdeu pelo simples prazer de perder?

Já sentiu aquela tristeza por dentro por ter feito algo que não queria ter feito? Já se arrependeu por pensar demais na outra pessoa e esquecer-se de você?

Na adolescência alguns de nós são podados pelos pais. Aliás, sempre achamos isso ruim: todos sempre saem à noite, sempre fazem de tudo, e nós nunca podemos, precisamos ficar em casa, jamais saímos. Debatemos isso, nos achamos adultos, pensamos que nossas atitudes são adultas. Pura mentira, somos meros moleques brincando de gente grande. Nem tem como querer fazer tudo o que queremos se não podemos sequer chegar à meia-noite em casa.

Mas quando crescemos as coisas mudam de figura e passamos a ser donos de nossos narizes. Entretanto, mesmo fazendo o que queremos, não fazemos. Que tipo de pessoa que luta tanto por independência coloca-se atrás das grades por opção?

Seja por medo, seja por algum sentimento, seja por estar casado, seja o motivo que for, a verdade é que o ser humano perde oportunidades incríveis, coisas que às vezes ele nem queria perder, de fato. Não vamos àquele show porque não tem ninguém pra ir com a gente, não chegamos naquela pessoa na balada porque temos medo de sermos rejeitados, não terminamos um relacionamento com medo do que possa acontecer, não começamos um relacionamento por medo do que possa se tornar, não viajamos de avião com medo dele cair, não fazemos longas viagens em ônibus com medo dele tombar, não conhecemos o Brasil com medo do que podemos encontrar, não conhecemos outros lugares do mundo com medo de ataques xenofóbicos...

E quase sempre a culpa por nossa falta de atitude perante tudo aquilo que de fato queremos NUNCA está em nós. É comum da sociedade colocar a culpa em todo aquele que não é de primeira pessoa, nunca somos os culpados pelos nossos próprios erros. Sempre é algum fator externo: não é que eu tenha medo de avião, é o avião que pode cair; não é que eu tenha medo de ser rejeitado, mas é a outra pessoa quem pode fazer isso.

E é por isso que perdemos a oportunidade de viajar, conhecer outras pessoas, casar, encontrar outra pessoa que se adapte melhor à nossa forma de viver e pensar. É pela falta de coragem de assumir os erros que a sociedade peca: porque o pecado em si não é errado, o erro é não reconhecer o pecado.

Quando somos adolescentes somos podados, não podemos muita coisa. Vivemos o que está a nosso alcance, mas é uma parcela tão ínfima de vida, um pedaço tão pequeno de mundo. Mas quando crescemos temos nossas responsabilidades, nossa vida. Como deixar que outras pessoas dominem isso, que demoramos tanto tempo para ter? Se prezávamos tanto esse pequeno pedaço de mundo que tínhamos quando adolescentes, como deixar que o medo, o ciúme, que outra pessoa se apodere daquilo que temos de mais precioso que é nossa liberdade?

Olhe para trás. Quanto de tudo aquilo que você sempre quis fazer de fato foi realizado?
Quanto de tudo aquilo que você planejou viver nos últimos 3 anos de fato foi vivido?
Quantas vezes você riu? Quantas vezes você esqueceu que tinha 30 anos pra voltar a ter 7?
Quantas vezes te chamaram de criança, aos risos, e você não quis parar pra analisar isso profundamente?
Quantas vezes você mudou radicalmente e fez aquilo que você sempre quis fazer, mas nunca pôde?
Quantas vezes você realmente lutou por aquilo que queria, sem deixar que isso fosse embora na primeira brisa, e segurou firme quando teve um tornado?

E nesta semana? O que você fez de diferente?
O que você fez com aquela grana que estava parada? Viajou ou saciou desejos fúteis?
Encontrou os amigos? Comeu uma pizza? Ou estava ocupado demais arrumando a casa ou de regime?


Perdemos chances incríveis de descobrir um mundo que está aí e que nem sempre estará, mas que nem sempre vemos. Já passou da hora de mudarmos completamente aquilo que nos faz mal, de desbaratar e decidir de uma vez por todas o que queremos ser, onde queremos estar, aonde queremos ir e com quem escolhemos estar. "Nossa vida é problema nosso", é o que sempre dizemos, mas ela não deveria ser problema. Nossa vida deveria ser nossa SOLUÇÃO, nosso início de mudança, nossa essência de alegria. E a busca pela felicidade deveria terminar exatamente no encontro de nosso ser, do que somos e do que ainda vamos ser, porque apenas querer não é mudar, mas é meio caminho para fazer acontecer.

A vida é curta demais. Por isso jogue-se nela, solte-se nela e permita-se levá-la.

Quem disse que o homem não foi feito para voar não tem o menor senso de vida.

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