7 de jan. de 2015

"Let's rewrite an ending that fits instead of a Hollywood horror"

Lá no início do ano, antes da viagem a Portugal que fiz, fiquei de fazer uma listagem com todos os momentos que me fizeram sorrir neste ano. No meio do percurso, abandonei o projeto e joguei fora todos os papeizinhos (eram poucos) que eu havia juntado com tanto esmero e falta de vontade (à altura do campeonato).

Mas de umas semanas pra cá eu tenho tentado resgatar alguns dos momentos mais emblemáticos ao longo de todo esse percurso. Não lembro direito das datas em que eles ocorreram, e era justamente o que eu queria ter fixado; mas lembro mais ou menos da ordem cronológica dos eventos, então é assim que estão listados abaixo. Aqueles cujas datas foram mais emblemáticas, ou que aconteceram de umas semanas pra cá, estão datadas.

Missão dada é missão cumprida, parceiro. Fazer uma lista de tudo o que me fez sorrir no ano. Taí a minha  ;)

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  • A Malu, a cadela de retalhos da minha prima, me acordava (pulando na minha barriga, na cara ou onde mais desse) no meio da madrugada quando eu tinha um pesadelo ou chorava. E ficou desesperada de saudade quando me viu de volta o Brasil.

  • Vi a Tower Bridge e o Parlamento Inglês (de cima, enquanto ia pra Heathrow pegar o voo pra Porto). Essa foi a única parte do meu voo de ida em que eu não quis que a aeronave caísse ou pegasse fogo.
  • Achei engraçado que o comissário de bordo (britânico) passava oferecendo chá com um sorriso no rosto e os olhos brilhando. Suspeitei um pouco quanto à procedência do líquido, mas, ao menos em mim, não surtiu efeito colateral (shit!)
  • Camisinhas à venda no aeroporto de Londres! \o/


  • Conheci a Erika Pinto. Ri bastante com ela, admito, e também aprendi muito com muita conversa. Também conheci a Leila Silva e o Julio, "gentes giríssimas" e muito animadas. Também ajudaram (e ajudam!) muito muita gente.
  • Comi grelos num bacalhau encharcado de azeite e foi, de longe, a minha melhor experiência em Portugal. Comer uma das várias Francesinhas do Porto também é uma experiência obrigatória na cidade. Entendam como preferirem.
  • As pérolas portuguesas são TODAS verdade. Um exemplo dentre muitos:

*Na estação de metrô, em busca de um orelhão.*
Eu: Boa tarde. O senhor poderia indicar um telefone público?
Guarda: Pois não. Aquele ali.
Eu: Mas aquele está quebrado...
Guarda: Ah! Queres um que funcione?! Só do outro lado da rua, .

  • Vinho por um euro - alguns, mais baratos do que água. Porto Tawny por cinco euros (sete no aeroporto, pagando muito caro). Vodka de morango, com teor alcoólico e textura de vinho, por menos de 10 euros. Esquece a Smirnoff, to falando de coisa boa mesmo!
    Aliás, whisky também é convidativamente barato (cerca de 8 euros) e de ótima qualidade.

  • Só não virei alcoólatra em Portugal porque descobri um creme de chocolate preto e chocolate branco de 750g por três ~fucking~ euros. Achei que diabetes compensasse mais do que foder meu fígado. Ainda não tive coragem de fazer exame de sangue.



  • Subi na Torre dos Clérigos, um dos pontos turísticos do Porto e de onde é possível ver a cidade inteira. Acontece que tava um frio desgraçado e ventava muito no nível da rua. A torre tem cerca de 10 andares. Lá em cima o frio e o vento estavam muito piores, pareciam facas de gelo entrando na sua cara. Fui subir numa pedra pra tirar uma selfie com o horizonte (=p)  e, mesmo estando PARADA em cima da pedra, o vento me derrubou. Eu quase torci o pé. O resultado é essa foto, que foi tirada quando eu procurava algo pra me segurar (no caso, o botão do flash) e não cair.






  • Oooooi, Carooool! Você é uma estrela que brilha, brilha, brilha!!! (entenda aqui)



  • Vi a Aline ficando bêbada e filmamos, com o celular dela, ela falando alguma coisa engraçada. Ela, antissocial, já estava abraçativa de tanto álcool. No dia seguinte ela avisa que o celular é conectado automaticamente com a Dropbox e que vai tudo direto pro pc da tia dela. 



  • VI NEVE! 


Acredito que isso seja o equivalente na Sibéria para "fui pro RJ no verão!"



  • 08/04 - A melhor decisão do meu ano.



  • Emagreci entre 12 e 13 kg em menos de 5 meses. Só comendo chocolate e dormindo. Chupem, nutricionistas! \Ò_ó/



  • Passei um mês e meio "morando junto" do meu melhor amigo de infância  (o que qualquer outra pessoa chamaria de lua-de-mel) . Todos deveriam fazer isso ao menos uma vez na vida.



  • Fui a Salamanca e dancei funk num queijo gigante no meio da cidade. Eu estava sóbria.



Plaza Mayor e uma porra escrota tampando a visão da parte mais importante da praça. Certas coisas não acontecem só no Brasil, folks...


  • 10/07 - Finalmente retornei ao Brasil, de surpresa, junto do Edson. Foi perfeito - menos na parte em que eu comecei a ter espasmo muscular na minha mão, que segurava a cabeça dele contra o meu colo enquanto ele dormia. Num desses espasmos eu quase joguei a cara dele no banco da frente. Parei de dormir naquele momento com medo de causar alguma lesão cerebral no coitado, que já não é lá muito são.
  • Eu falei pra minha prima que chegava no dia 10 e, na verdade, eu cheguei no dia 11. Como era uma surpresa, ela não podia contar pra ninguém que eu estava chegando. E como eu não dei notícias, ela achou que tivesse morrido em um acidente aéreo e já estava procurando por algo do tipo nos tabloides britânicos.

  • Pra mim, esse ano foi inverno de fevereiro a setembro!! Só isso já é motivo de sobra pra ter amado 2014 =D


  • 06/10 - Apresentação, em SP, da pesquisa de Iniciação Científica que eu desenvolvi enquanto estava na Universidade do Porto. Essa data é importante porque foi apenas o meu workaholismo que me manteve viva durante toda a minha estadia na Europa - e, infelizmente, it's not bullshit. Muitas vezes pensei em me jogar de uma das pontes que arqueiam o Rio Douro e só não fiz isso porque tinha esse compromisso com minha orientadora. Agradeço todos os dias por ter tomado a decisão de seguir em frente com a pesquisa, mesmo sem querer seguir em frente com a minha própria vida, e minha apresentação na USP foi a finalização da escolha de me manter viva. Claro que o Edson e a Aline foram peças fundamentais nesse processo, mas eles dois, mais do que eu, sabem que se não houver força de vontade, não há o que ser feito.


  • 22/10 - Um amigo fala que a convivência comigo está afetando sua cognição. Chegando na sala de aula, ele pega escova e pasta de dente (na frente de todos) e vai ao banheiro para fazer a higiene bucal. Chegando lá, percebe que o que havia pego era KY e não pasta de dente.



  • 28/10 - Tive um sonho muito doido. Nele, eu havia visto, no meio da estrada, um elefante que conseguiu pendurar um carro num fio elétrico usando um barbante. Achei aquilo tão genial que, no sonho, decidi contar pra todo mundo no Face e no Twitter. Ainda no sonho eu percebi que estava sonhando, acordei e comecei a me desesperar, gritando pra mim mesma: VAI TODO MUNDO PENSAR QUE EU TOMEI ÁCIDO, TENHO QUE APAGAR ESSAS ATUALIZAÇÕES!
    Eu acordei, dessa vez de verdade, e conferi Face e Twitter. Nada. Que sorte não ser sonâmbula! =)



  • 29/10 - Fui comprar um carregador pro celular e rodei todas as barraquinhas de Mariana até que, na última, consegui um que servisse no meu aparelho. O vendedor estava com a filha, que deveria ter uns 4 anos no máximo. Quando vi que o carregador servia mesmo e estava funcionando, já cansada de tanto procurar, eu agradeci ao vendedor dizendo "obrigada, moço! Você é um anjo", ao que a garotinha respondeu: "você chamou meu pai de anjo? Vou contar tudo pra minha mãe!"



  • 04/12 - Andei de caminhão. Foi bem legal me sentir acima de qualquer pessoa, mas eu quase caí de cara no chão na hora de descer.


  • 07/12 - Aniversário do Ozzy, o cachorro do Lucas (ambiguity rules!), com direito a bolo canino e tudo! Pros não-canídeos havia salgadinhos e cerveja, muita cerveja, e eu nem lembro direito do resto.





  • 31/12 - Vi minha mãe, alegrinha, e meu namorado, já beeeem alto, falando atrocidades sexuais bem na minha frente. Teria sido menos vexaminoso se eu estivesse bêbada também, mas tinha que cuidar da minha mãe, que quebrou o pé, então tive que maneirar na bebida. Justo no réveillon  =(
    (verdade seja dita, eu não acho o réveillon isso tudo. Pra mim é só uma data como outra qualquer - com o aditivo de que a gente pode se embebedar na frente dos pais e não sofrer com isso no dia seguinte porque eles também estão de ressaca)



De lá pra cá poucas coisas aconteceram pra me fazer rir ou sorrir, mas já estou montando a listagem pro próximo ano  =p

No mais, essa listagem me lembrou algo muito importante e que me ajudou muito depois que eu refleti sobre meu ano inteiro de 2014:  a flor de lótus nasce na lama. 


Beijos a todos e um excelente 2015!!!

28 de nov. de 2014

"A menos que o coração sustente a juventude, que nunca morrerá"

E se jogar água, será que você volta?




Eu ainda não consegui engolir a notícia. Tem uma bola de dor engasgada na minha garganta e não lembro de ter chorado esse tanto desde 2011, quando meu avô morreu. Acho que era essa a tríade da minha vida: você, meu avô e meu pai. E nada mais na minha vida vai ser tão marcante quanto vocês três.

Eu cresci com você: quando eu nasci, o SBT já passava os episódios (dublados) e eu adorava ver. Desde criança, eu não perdia nenhum episódio. Sabia todos de cor. Você era um gênio, Bolaños: eu nunca me cansei de rir da mesma piada. Eu só não entendia o "b de burro ou b de vaca", porque no Brasil são coisas diferentes, mas a minha motivação para aprender espanhol era entender essa piada. Quando entendi, minha motivação era aprender as outras.

Por que você se foi, Bolaños? ...

Eu sei que você não me conhece. Sou mais uma nas milhões de pessoas que te seguem no Twitter, e isso é tão pouco frente a todas as outras que você nunca chegou a conhecer. Meu pai, inclusive, culpado pelas minhas lágrimas hoje. Se eu sinto como se tivesse perdido um membro da família, isso é culpa dele que me fez gostar do seu jeito humilde e cotidiano na vila. Eu sei que você não me conhece, mas eu sei tanto sobre a vida que você nos mostrou...

A cada episódio, papai e eu conversávamos. Recontávamos as piadas, brincávamos um com o outro. E mesmo quando brigávamos, bastavam alguns minutos do programa pra tudo se dissipar. Depois, mais tarde, mamãe chegava do trabalho, eu conversava com ela sobre o que se passou no episódio e ela explicava tanta coisa!! Professora de história, me contava sobre todo o período histórico e a situação financeira do México nas décadas de 1970 e 1980, período em que o Chavo del Ocho passava pela Televisa. Entendi os cortiços, entendi a pobreza, entendi o sistema de educação... entendi tanta coisa. Entendi que você era mais que um comediante: era um debochado, fazendo as pessoas rirem da própria desgraça. Eu adorava isso. Meu avô e meu pai também eram assim.

Por que você se foi, Bolaños?! Por quê?!

Foi com o Chaves e com o Chapolin que eu aprendi que a vingança nunca é plena, mata a alma e envenena; que o símbolo da morte é a caveira; que uma boa aula é dinâmica; que apesar dos desentendimentos, a amizade vem sempre em primeiro lugar. Aprendi que o problema da fome pode estar mais próximo do que se imagina e que as bruxas têm lá seu charme (e um gatinho lindo!). Aprendi, também, que é preciso saber a verdade antes de sair fazendo justiça com as próprias mãos em qualquer gentalha e que há de ter atenção nas coisas que se faz. 

Também aprendi coisas mais profundas: que gente rica e pobre habita um mesmo lugar, então estão todos no mesmo barco. Aprendi, com Seu Madruga, que já foi sapateiro, vendedor ambulante, atendente, cabeleireiro, e tantas outras coisas, que o importante não é o cargo que você ocupa, mas sim o trabalho que você faz. Aprendi, com Seu Barriga, que ajudar ao próximo (seja comprando um sanduíche, seja levando pra Acapulco) é essencial. Chiquinha, destrambelhada que só, apesar de fofoqueira e um pouco mentirosa, me ensinou o valor de uma amizade sincera, me fez ver o que é ser amiga para todas as horas. Quico, com toda sua arrogância, ainda levava a inocência na alma e tinha um coração maior do que as bochechas. Aprendi a fazer o café com Dona Florinda e hoje não consigo mais dormir de tanto que tomo e, a cada aula que preparo, sempre imagino como o professor Girafales faria para que seus alunos entendessem aquela matéria, mesmo com todas as dificuldades financeiras e sociais de um Estado em crise (a situação por aqui não mudou muito).

Ah, Bolaños... uma vez você respondeu um Tweet meu e eu fiquei tão feliz! Sei que você fazia isso com todos, mas pra mim foi especial.  Minha maior motivação para aprender espanhol era apenas uma: ir a Acapulco (que aqui ficou sendo o Guarujá), queria conhecer o lugar com o por-do-sol mais conhecido da televisão sul-americana. Ainda está nos planos.

Há alguns anos eu comecei a me questionar o que eu faria se você morresse. Eu não sou ninguém na sua vida, mas você não sabe o tamanho do carinho e admiração que eu trago por si. Todos os ensinamentos de uma vida estão internalizados no meu coração e na minha mente. Se eu tenho um posicionamento mais humano quanto a certos assuntos, se eu hoje estudo em Linguagens uma área que busca entender o contexto geral de produção de um discurso para compreender melhor o que está, de fato, escrito em suas entrelinhas, se eu hoje sou tão literal, é por mérito seu. E há anos eu venho me perguntando como seria o dia que eu recebesse essa triste notícia.

E hoje eu digo: foi horrível. Foi horrível porque é você que está saindo. Foi horrível porque eu não fui a Acapulco ainda, eu não consegui realizar um grande sonho que era dar uma esticadinha até Cancún e tentar te dar um abraço forte e agradecer por toda uma vida de aprendizado e muitas risadas. Foi horrível porque eu senti uma parte de mim morrendo junto. Em tudo que eu faço há um pouco do Chaves. Vê-lo na mídia com uma notícia tão arrasadora foi um abismo pra mim.

Entre soluços e muitas lágrimas eu encerro esse post sabendo que você nunca vai lê-lo, não mais, e sabendo o quão ridícula eu sou por chorar por alguém que sequer sabe que eu existo. De toda forma, eu agradeço por tudo o que você me permitiu ser e por tudo o que você fez por gerações e gerações. Seu legado continuará, seja nas telinhas, seja na associação que você criou. Você é uma lenda agora e não merece menos do que todo o amor e a gratidão de uma nação de fãs.




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