8 de mai. de 2013

"Loving you is easy 'cause you're beautiful"

"Amar você é fácil porque você é bonito(a)", mas seria mais fácil ainda se uma das partes fosse rica. Ou mão de vaca. Transcrevo abaixo um texto que um colega de Twitter (@Nickbhz) postou e que eu achei sensacional. Um cálculo simples mostrando que - não! - o amor não faz bem pras finanças. Ele pode ser lindo e romântico na prática, na teoria, na foto, mas não no bolso.

Após acompanhar todo o raciocínio, e sabendo que se trata de um texto com base em um relacionamento homossexual entre dois homens (que, obviamente, gastam muito menos do que qualquer mulher), fico pensando que eu já devo ter bebido, comido, alisado ou dado de comissão a vendedoras diversas cerca de 2 apartamentos na Vieira Souto, uma das áreas mais nobres do Rio de Janeiro, após quase 5 anos de relacionamento com meu atual noivo. 

P.S.: o texto tem leves alterações de ordem estética, apenas. Seu estilo de escrita foi transcrito na íntegra. Por se tratar de um texto publicado no Twitter, micro-blog com restrição quanto à quantidade de caracteres por post, algumas abreviações foram necessárias para encurtar o número de caracteres.


"Eu tarra comentando com um coleguinha de firma hoje: namorar sai caro. 


-Você namora?

-Não
-Por que?
-Porque não tenho dinheiro. Namorar sai caro. É caro principalmente para os gays. Supunhetemos que o casal seja mais caseiro e curta um programa a sós. (...) Aí que você combina de fazer algo "simples" com o mozão. Cinema é considerado um programa simples. Você paga os ingressos+pipoca+refrigerante. Só aí já se foram 50 Dilmas. Fora o transporte. Se for de táxi isso vira uma fortuna. Mas aí imagina que, ao sair do cinema, você e seu mozão ficam com fome. Vou usar o McDonald's como cálculo. Duas promoções do CBO = D$ 36,00. Total da noite: 86 Dilmas. E olha que ainda é sexta-feira. Aí no sábado tem o aniversário de um amigo numa boate. Você e seu mozão não podem deixar de ir. D$35 [Dilmas] a entrada, mesmo com nome na lista. Se os dois economizarem muito, dá pra fechar a conta da boate em D$70 pra cada. + 140 Dilmas na farrinha do fds. Ainda falta o domingo. Você não vai querer voltar da balada com seu mozão de ônibus. Aí vem o táxi. Mais R$30,00. 



Vamos fazer uma conta parcial? R$256,00 em dois dias. Mas o fim de semana do casal ainda não acabou. 


O que fazer no domingão com o seu mozão? Supunhetemos que o casal faça aquelas "coisas de gente grande", aos domingos. Pra onde eles vão? Motel, claro. Por mais lindo que o casal seja, não há amor que resista a um motel de centro de cidade. Leve seu mozão para uma suíte melhorzinha, né? Aí você escolhe aquele motel melhorzinho. Não é o mais caro da cidade, mas também não é aquele muquifo que tem até pulga no colchão. A suíte standard custa R$80,00, a presidencial, R$200. Vocês escolhem a mais barata. Para evitar o constrangimento de entrar no motel a pé, o casal pega um táxi só para isso. R$20,00. O casal já gastou muito durante o fds e combinam de não pegar nada na geladeira. Se quiser beber água, eles vão beber da banheira. O táxi para voltar pra casa sai mais caro por causa da distância. Coloque aí mais uns R$40,00. 


Em um final de semana, o casal gastou R$396,00. Se repetisse o roteiro nos quatro fds do mês, o casal gastaria R$1584,00. Olha que eu não coloquei outros gastos como: salão para ficar bonito para seu mozão, roupas, presentinhos para o mozão, conta do celular... 


Imagina que o casal, no meio da correria da rotina, resolve se encontrar no meio da semana para um almoço.Uma pesquisa da FGV, se não me engano, mostrou que o preço médio dos Pratos Feitos é de R$15,00. Vou usar o PF para calcular. Mais 30 reais de almoço. Aí é aniversário do mozão, você vai comprar algo pra ele. O brasileiro gasta de R$150,00 a R$300,00 com presentes de aniversário. Vou calcular com 200. Se o seu mozão resolver fazer uma recepção para os amigos, antes de gastar mais grana com a festa, você gasta com você. Você vai ao shopping, compra roupa nova para a festa, vai ao salão esticar o bombril e ao supermercado comprar coisas da festinha. Você gasta mais uns 80 reais no salão, 200 no shopping e 300 com a festinha dele. 


Você já gastou 2394 Dilmas com coisinhas, só porque você começou a namorar.
Amor é prejuízo para o coração, para a mente, para o corpo e para o bolso. Esse valor gasto nunca mais será recuperado, desmentindo qualquer um que disser que amor é investimento."

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1 de mai. de 2013

"Táubua de tiro ao álvaro: não tem mais onde furá."

E a educação vai pro saco mais uma vez, seja por desinteresse pessoal ou por interesse financeiro. E eu me sinto cada vez mais uma idiota, que ainda se preocupa com pontos que parecem ter sido abolidos da vida de todas as outras pessoas.

Comecemos do começo: manda quem pode, obedece quem tem juízo. É assim que a maioria dos alunos chega ao curso de inglês (ou espanhol, ou francês, ou o que seja), mas nem sempre é à risca que eles seguem esta regra. Se fosse só pelo desinteresse dos alunos, o problema seria menor, mas o péssimo mesmo é quando nem sequer os pais ajudam os filhos a entenderem a importância que um idioma estrangeiro tem na vida daquele ser. Já estou cansada de ver aluno que estuda igual a um louco para passar nas provas do cursinho, mal e porcamente consegue acertar 50% da prova e sai glorioso, contente por ter passado ao próximo nível, sem ter noção do que aquilo realmente representa na vida dele. O que representa é uma perda de 50% do conteúdo que ele deveria ter aprendido, que será somada à perda dos semestres anteriores, que serão todas somadas às perdas futuras e assim por diante, causando um grande buraco negro de conhecimentos ocos de um aluno medíocre que, quando tiver sua péssima fluência questionada, vai carregar o nome da escola onde estudou e difamá-la por toda a região. É claro que o aluno é que é o maior culpado de seu próprio desempenho - afinal, se nenhum exercício é feito, se não há esforço para melhorar nem seriedade para entender o aprendizado como chave pro sucesso, não existe metodologia nem professor que façam milagres.

Conheço mães de alunos (inclusive meus) que não se importam com a qualidade do ensino dos filhos, apesar de terem orgulho de pagarem cursos caros. São o tipo de gente que fala pro filho faltar à aula caso esteja garoando ou que acha que língua estrangeira é menos importante do que química ou física (como se um fosse um hobby e o outro fosse obrigação escolar, sendo que os dois podem ser a diferença entre o filho ser rico ou pobre). Além disso, há também os colégios e os cursos de idiomas que preferem não falar para os pais quando o filho está indo mal nas matérias, com medo de que os responsáveis tirem os filhos daquela instituição. Não consigo entender o pensamento de quem só pensa no lucro, mas se eu tivesse uma escola onde alguns alunos não aprendem nada, onde não conseguem desenvolver seus conhecimentos, eu falaria constantemente com os pais ou responsáveis, a fim de que se preocupassem mais com a educação das crianças. Se isso não fosse suficiente, não permitiria que eles continuassem na escola. Afinal de contas, caso eles não aprendam nada, vão sair pelo mundo falando que "naquela escola não aprenderam nada", o que é muito pior do que ficar conhecida como "a escola que não quis tal aluno."

Mas é tanta situação bizarra que eu, sinceramente, não sei mensurar se o pior mesmo é quando não há estímulo ao estudo ou se é quando o estímulo existe, mas o profissional é talhado por motivos financeiros.

Digo por algo que aconteceu a uma amiga: ela trabalha em uma rede de cursos de idiomas famosa e um aluno novo entrou em uma turma que está ministrando. Ele perdeu cerca de 3 ou 4 lições, a turma já estava se preparando para fazer a primeira prova e ele, obviamente, precisava de aulas de reforço, pois estava tendo certa dificuldade em seguir o mesmo ritmo da turma. Em uma aula de reposição, foi visto apenas um dos conteúdos dentre os que foram perdidos. Foram marcadas outras aulas de reposição, que a pessoa responsável pelo curso fez questão de vetar devido aos valores que deveriam ser pagos à professora para que ministrasse as aulas extras. Segundo a pessoa, os valores seriam altos demais e não haveria necessidade do aluno ter tantas aulas extras se o conteúdo da primeira prova era bem tranqüilo de ser entendido e de cunho bem básico. Minha colega ficou boquiaberta, primeiramente, pela cara de pau: como um curso grande no Brasil, reconhecido em diversas capitais, pode dizer que um valor entre R$12 e R$16 a hora/aula pode ser "alto demais"? Isto significa que se a hora/aula for de 1h15, em duas aulas o professor ganharia apenas R$24 (ou R$32, considerando o valor de R$16, praticado em pouquíssimos lugares). Diversas profissões de ensino médio ganham mais do que isso. Ela aceitou, então, mediante tamanho absurdo, ministrar as aulas gratuitamente, pois quem acompanha o aluno freqüentemente é ela, quem sabe onde o aluno está bom ou precisa melhorar é ela, e como boa profissional e preocupada com o aprendizado do aluno, ela sabe que seu dever é fazer o necessário para que ele aprenda - o que ela não esperava era que a pessoa que a contrataria não estaria interessada em que ela desse o melhor de si na sua profissão (segunda atitude que a deixou boquiaberta), condição sine qua non para a manutenção de qualquer emprego.

Outra coisa que me deixou extremamente irritada, e esta aconteceu comigo, cabe ao respeito que é dado ao profissional. Quando alguém se apresenta como tradutor, intérprete ou revisor sempre rola um status por trás da definição, algo quase místico, que as pessoas não sabem bem como funciona, mas sabem que é daquele serviço que precisam para realizar determinada ação. De certa forma, isto é um bom resguardo para nós do ramo. O respeito que ganhamos em nosso meio é nossa base para todos os trabalhos que realizamos e condição propícia para nossa própria alimentação e sustento! E isso deveria ser a base para todo trabalho, em qualquer área. Mas vejo que o professor já é uma classe tão rebaixada que está perdendo, aos poucos, o respeito pela sua atividade, muitas vezes dentro do próprio ambiente de trabalho. O que aconteceu foi o seguinte: como forma de manutenção minha em MG, além de realizar traduções e revisões, também dou aulas (eu e a maior parte dos tradutores da torcida do Flamengo). Estava de bobeira, então, esperando uma aula começar num dos cursos onde trabalho quando apareceu uma simpática menina na recepção procurando um serviço especial: algo como um intérprete, mas não seria necessário falar com ninguém. Na verdade, era apenas para ajudá-la a fazer uma prova virtual de inglês para um processo seletivo, para o qual ela gostaria muito de passar e não gostaria de ter erros. Perguntou para o coordenador do curso se algum professor toparia fazer isso e ele me chamou para conversar com a simpática menina. Disse-me que eu poderia discutir horários e valores diretamente com ela, uma vez que não teriam nada a ver com meu trabalho naquele curso, e saiu para sua sala. Dei meu valor (R$50 a hora) por três motivos: primeiro, eu estaria, de certa forma, sendo submetida a um teste de uma empresa, cujo vocabulário eu não dominava e cujas questões eu teria a obrigação cívica de acertar, pois o emprego da menina dependia (também) daquela prova. Segundo, porque eu não fazia idéia de quanto tempo ficaria presa àquele teste. Terceiro, porque além de tudo descrito  acima, a menina não tinha fone de ouvido e eu teria de levar o meu. Após ter explicado tudo isso, o coordenador retorna à recepção e - novamente - reitera qual é a motivação da menina em estar ali (ele já havia comentado antes) e comenta que, provavelmente, seria algo bem fácil de fazer, que eu poderia até mesmo combinar com ela um valor aproximado de R$30, que é o valor cobrado pela hora/aula naquele estabelecimento.

Ora. Pera lá! Primeiro, aquele trabalho não tinha absolutamente nada a ver com dar aulas, inclusive era mais complexo e a sobrevivência de alguém dependia dele, então não haveria motivo algum para que o custo dele fosse o mesmo de uma aula de inglês. Segundo, eu não ganho R$30 por hora/aula, nem conheço alguém no referido estabelecimento que ganhe. Sem falar que foi uma falta de respeito danada se meter na minha negociação com a cliente, sendo que o curso não levaria nada em cima disso. E se quisesse levar, que tivesse me avisado antes.


O que quero dizer com tudo isso? A educação é uma instituição falida no Brasil em ambos os lados: dos alunos, que não querem aprender, e dos profissionais que não querem trabalhar de forma a beneficiar os alunos. No meio de tudo isso existem os professores, que tentam, de diversas formas, fazer o melhor trabalho que podem, como um contra-peso entre a má vontade dos alunos e a política capitalista do empregador, com foco na mais-valia o tempo todo e de todas as formas possíveis. A única parte que dói o coração de ver é que o professor, por mais que lute contra isso, sabe a importância que o aprendizado tem na vida de alguém e, se for um bom profissional, atento com a ideologia que carrega a profissão, não vai se lembrar de que precisa comer quando um aluno tem uma dúvida, quando precisa de uma aula de reforço que não será paga porque isso vai tirar a mais-valia do empregador ou quando estiver criando diversas atividades para chamar a atenção dos alunos que já não querem mais estudar. É muito triste ver que entre a falta de noção de mundo de um adolescente e a falta de respeito pelo profissional da educação, existe uma pessoa que vai perder noites em claro pensando em como mudar o mundo, que vai dormir de madrugada para preparar uma excelente aula para que aquele curso não perca o aluno que tem ou para pesquisar assuntos que sejam interessantes para aquela turma de alunos já sem futuro, mas que o professor busca uma brecha de luz para iluminar a mente.

A educação é uma instituição falida porque é composta, basicamente, por três setores, e apenas um deles trabalha para que seja mantida. A maioria do resto pensa apenas em si. E enquanto a educação não for tratada com seriedade neste país, enquanto as pessoas não entenderem que qualquer aprendizado faz a diferença entre uma vida boa e uma boa vida, enquanto o empenho for nos números e não nos fatos, não vejo como a educação pode progredir.

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